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  • Malamanhadas Podcast

Dizer não vai salvar sua vida

Quantas vezes passamos por cima das nossas vontades e intuições, para deixar outras pessoas confortáveis?


Quem conhece o medo de ser chamada de desagradável e egoísta, sabe do que eu tô falando.


Durante a maior parte da minha vida, eu perdi pedaços de mim, dos meus sonhos, da minha personalidade. Por causa de relacionamentos tóxicos e fracassados. Por causa de homens que só me diminuíam e tinham a necessidade doentia de acabar com a minha luz. Por causa da inveja e do machismo deles, eu quase fui dilacerada. Por ser insegura e carente, eu já me machuquei muito. E por conta do racismo e pela fixação da nossa sociedade com a magreza, eu me machuquei mais ainda.


Ás vezes ficamos presas nessa necessidade de cuidar dos outros. De fazer o bem. Mesmo que esse bem te adoeça e magoe. Isso pode acontecer dentro de relacionamentos românticos ou familiares. A pessoa que você ama sempre é colocada em primeiro lugar e o quanto de você sobra após dar tudo para o outro?


Autocuidado tem a ver com a sua capacidade de dizer não para os outros e sim para si mesma.


“Não me sinto confortável em fazer isso”. “Não concordo”. “Não estou afim”. “Não posso”. “Não quero”.


E se o outro não consegue aceitar ou respeitar os seus limites,você tem que garantir o respeito pelo seu corpo, suas emoções e pensamentos. Só você pode fazer isso.


Amar a si mesma envolve mais do que apenas se perceber bonita. Tem a ver com se priorizar e tomar decisões que não vão agradar a todos, mas que vão fazer bem para sua saúde mental.


Seja no sexo, nas amizades ou no trabalho, o não é essencial.


Eu lembro que quando eu tinha 14 anos, eu comprava todos os livros de autoajuda que diziam “Por que os homens amam as mulheres poderosas”, “Por que os homens se casam com as mulheres poderosas”, “ O que toda mulher inteligente deve saber” e até um pequenininho cujo título era” 50 formas de dizer não”, e nessas leituras basicamente envolvia fingir submissão e fazer o que queria. Era sobre tomar o controle, mas por debaixo dos panos.


Com 24 anos, a mulher inteligente e poderosa em mim, vem trilhando o caminho da auto cura, mas entendendo que minhas vontades têm que se fazer ser ouvidas em público também. Chega de passar por cima de mim, isso já me causou dor demais. Eu sou a única responsável por me salvar e eu me recuso a me deixar para trás.


Então aceite o conselho de quem está colando os pedaços de volta e se reconstruindo: Se alimente para você, se vista para você, de acordo com os seus desejos. Passe aquele hidratante no corpo, mesmo que vá dormir sozinha. Se olhe no espelho, se toque, se dê prazer e se conheça.


Como diz um poema da Amanda Lovelace e eu tenho transformado em mantra: “Você merece ser inteira”.



Texto escrito por Camila Hilário.

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